Afinal, você sabe qual a importância da biossegurança?

Publicado por Faculdade IDE em 20 de julho de 2018
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Afinal, você sabe qual a importância da biossegurança?

Qualquer ambiente de trabalho oferece riscos aos seus profissionais, sendo, por isso, o que explica a importância da biossegurança. Ocorre que, em hospitais, clínicas e em outros serviços de saúde, esses riscos envolvem também os pacientes e os impactos ambientais e sociais, necessárias uma série de medidas de segurança.

Embora seja fácil perceber que esse é um tema relevante, muitas pessoas ainda desconhecem o seu real conceito e as suas aplicações. Quer entender isso melhor? Neste artigo, abordaremos esses riscos existentes, bem como a importância e os benefícios de se aplicar a biossegurança. Continue acompanhando e tire todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Afinal, o que é a biossegurança?

A biossegurança é a área de conhecimento que engloba um conjunto de medidas e ações que buscam a minimização e o controle dos riscos inerentes a uma determinada atividade ou local, com o intuito de preservar a saúde humana, animal e ambiental.

Essas medidas devem ser adotadas nas pesquisas, no ensino, no desenvolvimento tecnológico, na produção e na prestação de serviços, promovendo a segurança sem comprometer os resultados ou a qualidade. Isso é extremamente importante, visto que a biossegurança, em linhas gerais, não deve prejudicar o desempenho.

Mais especificamente quanto aos profissionais de saúde, o foco da biossegurança é nas instalações laboratoriais, no controle de agentes biológicos aos quais as pessoas são expostas e até mesmo na melhor qualificação dos agentes e trabalhadores, visto que eles estarão mais comumente expostos a agentes químicos e físicos.

As normas e regras de biossegurança geralmente implicam em novos procedimentos e equipamentos. São eles que garantem a saúde da população e do trabalhador, além de os protegerem contra doenças e epidemias.

Quais os principais exemplos da ausência de biossegurança?

No Brasil, nós temos um caso clássico e conhecido sobre a ausência de boas práticas de biossegurança, que é o acidente com o Césio 137, grave episódio de contaminação por radioatividade ocorrido na cidade de Goiânia, em Goiás. Tudo aconteceu por conta de um aparelho de radioterapia abandonado por uma clínica desativada, que expôs a população à radiação.

No entanto, infelizmente, exemplos não faltam no dia a dia dos mais diversos locais, como em hospitais, nos quais os profissionais, dependendo da sua carreira ou área, podem acabar se contaminando pela falta de uso de proteção, como luvas e óculos, ou mesmo por práticas indevidas de esterilização ou de descarte inadequado de materiais.

O que diz a legislação brasileira sobre a biossegurança?

Em nosso país, a regulamentação sobre os temas de biossegurança está presente na legislação como uma maneira de ressaltar a importância de preservar a vida e promover mais segurança em qualquer atividade, além de direcionar competências e normatizações, como disposto na Lei de Biossegurança 11.105 de 24 de Março de 2015.

Ela dispõe sobre os riscos relativos às técnicas de manipulação de organismos que foram geneticamente modificados, como os alimentos transgênicos, assim como a segurança em diversos ambientes de trabalho como hospitais, indústrias, laboratórios, hemocentros, centros de pesquisa e universidades.

Qual a relação entre a biossegurança e a segurança do trabalho?

A relação entre a biossegurança e a segurança do trabalho é imensa, visto que alguns ofícios, como o de um profissional de saúde, estão diretamente ligados a práticas e ações que proporcionem uma melhor proteção no dia a dia, não apenas nesses locais, mas inclusive para a população como um todo.

Um dos exemplos mais clássicos é o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI), que precisam estar de acordo com as atividades e riscos de cada trabalhador. Como o nome já sugere, eles servem para proteger individualmente cada usuário, bem como para a contenção dos mais variados riscos existentes que possam ameaçar a segurança.

Quais são as vantagens de seguir as normas de biossegurança?

Agora que você já aprendeu um pouco mais sobre a nossa legislação em relação ao tema e como ele vem sendo inserido na nossa sociedade e nos ambientes de trabalho, chegou a hora de entender, efetivamente, quais são as vantagens de seguir as normas de biossegurança. Confira abaixo algumas das principais.

1. Redução dos riscos à saúde dos trabalhadores

Uma das vantagens de seguir às normas de biossegurança é que isso reduz os riscos inerentes à saúde dos trabalhadores. Atitude simples que é imprescindível, levando em consideração os tipos de materiais e de reagentes que eles utilizam em seus ofícios.

2. Minimização de acidentes em laboratórios

Os acidentes em laboratórios eram mais comuns no passado e diminuíram pela adoção de normas de controle mais rígidas e eficientes. Atualmente, além da proteção do profissional em si, no caso de um problema mais sério — de vazamento, por exemplo —, o próprio estabelecimento precisa pausar as suas atividades, o que causa prejuízos muito grandes.

3. Preservação do meio ambiente e da sociedade

Seguir as normas de biossegurança implica também em conseguir uma melhor preservação do meio ambiente, por meio da descontaminação ou da eliminação dos riscos de exposição. Isso torna o local apto para o manuseio seguro e promove o descarte adequado dos materiais utilizados, evitando a poluição de rios e solos.

4. Aumento da qualificação profissional dos envolvidos

As normas de biossegurança implicam em treinamentos constantes para os profissionais que são expostos a situações de risco. Isso faz com que eles fiquem cada vez mais qualificados e em melhor sintonia com a tecnologia existente, garantindo uma qualidade muito maior dos procedimentos realizados, gerando melhores resultados.

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Quais são os riscos e como fazer a prevenção ideal?

Antes de tudo, para entender a real importância da biossegurança é preciso perceber melhor quais são os riscos que os profissionais, os pacientes e o próprio meio ambiente estão sujeitos em função das atividades desempenhadas, especialmente em instituições de saúde.

Conforme a NR 32 (Segurança e Saúde do Trabalho nos Serviços de Saúde), os critérios básicos de precaução visam a proteção de profissionais de saúde e outros atuantes em hospitais, clínicas, laboratórios e ambulatórios, em seu local de trabalho.

Além disso, a norma define como atividades de risco as que são capazes de ocasionar dano, doença ou morte. Basicamente, esse perigo se resume à transmissão de agentes infecciosos, especialmente os transmitidos por líquidos corporais e sangue, podendo causar contaminação de pessoas e a disseminação de doenças.

No entanto, os riscos envolvidos em tais atividades são muito complexos. Por isso, eles são classificados segundo alguns critérios:

  • ameaça ambiental: aqui são considerados os agentes químicos, físicos e biológicos presentes nos serviços de saúde, podendo causar danos ao meio ambiente;
  • risco à saúde: é dado pela probabilidade de ocorrer algum efeito nocivo à saúde dos profissionais e pacientes, em virtude da exposição a certos agentes.

Quais são os tipos de riscos?

De acordo com as suas características, os riscos foram mapeados e puderam ser divididos para uma melhor compreensão, por cores, segundo as seguintes categorias:

  • riscos físicos (verde) — equipamentos que geram calor, frio, radiação, umidade, campos elétricos ou operam sobre pressão, tais como autoclaves, raio-X, câmaras frias, centrífugas e outros;
  • químicos (vermelha) — produtos químicos nas suas mais variadas formas físicas. A lista é extensa, mas podemos destacar os ácidos, colas, pesticidas, medicamentos, formol, tintas, baterias e metais presentes em lâmpadas, por exemplo;
  • biológicos (marrom) — aqui destacam-se os agentes biológicos, como microrganismos geneticamente modificados ou não, toxinas e príons, parasitas e culturas de células;
  • ergonômicos (amarela) — comuns a diversas outras atividades profissionais, são eles o levantamento de peso, rotina intensa, jornada prolongada, esforço repetitivo, postura inadequada, estresse físico e psíquico, e outros;
  • de acidentes (azul) — iluminação inapropriada, animais peçonhentos, equipamentos desprotegidos, espaço físico inapropriado, eletricidade, possibilidade de incêndio e outros.

Quais são as classes de riscos?

Além disso, o Ministério da Saúde ainda classifica os riscos segundo outros critérios importantes, como os de patogenicidade, o modo de transmissão, a virulência, a endemicidade, a recombinação gênica, as consequências epidemiológicas, a profilaxia e o tratamento, entre alguns outros.

Dessa maneira, existem cinco classes de risco de acordo com o tipo de agente local e ação sobre o parasita. Por exemplo, numeradas conforme as exigências de biossegurança cabíveis se tornam mais complexas.

Como a biossegurança é fiscalizada no Brasil e quais são as suas aplicações?

No Brasil, a regulação e a fiscalização da biossegurança é feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esse é um órgão técnico regulador que é extremamente respeitado e que, inclusive, tem uma definição própria do conceito de biossegurança, que é a seguinte:

“a condição de segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente”.

Trata-se, assim, de um conjunto de normas e procedimentos padrões que visa a prevenção dos riscos inerentes às atividades exercidas nos serviços de saúde, bem como aos respectivos locais de trabalho.

Embora o seu objetivo primário seja erradicar ou reduzir as chances de um colaborador contrair alguma doença, suas aplicações estendem-se à proteção do restante da população, pacientes e meio ambiente. Para isso, há uma série de condutas e boas práticas que, embora pareçam dificultar o trabalho, são essenciais à segurança de todos os envolvidos.

Em um ambiente hospitalar, por exemplo, há desde as medidas mais simples (como uso de jaleco e o hábito de lavar as mãos antes de qualquer atendimento) às mais sofisticadas, como os sistemas de esterilização do ar, câmaras de desinfecção de EPIs, isolamento de laboratórios e outras.

No geral, as medidas de biossegurança envolvem dois pontos — os equipamentos de proteção individual (EPI) e os equipamentos de proteção coletiva (EPC). Dentre as suas aplicações, podemos destacar ainda outros exemplos:

EPI

  • luvas para profissionais, especialmente enfermeiros, que lidam com amostras biológicas e atendem pacientes com doenças contagiosas. Em laboratórios, para todos que manipulam, preparam reagentes e lavam material;
  • jalecos ou aventais, de manga longa e na altura dos joelhos, usando sempre fechados. Precisam ser lavados e descontaminados após o uso e nunca devem ser usados fora do ambiente de trabalho;
  • máscaras para proteção contra substâncias químicas, evitando a inalação;
  • óculos de proteção, protetor facial e sapatos fechados, para evitar respingos de material biológico sobre a pele;
  • kevlar, um colete para a proteção de temperaturas muito altas ou baixíssimas.

EPC

  • cabines de segurança: equipamentos que promovem a contenção física dos agentes infecciosos, para proteção dos profissionais;
  • lavar olhos: para limpeza imediata de olhos e face;
  • chuveiro de segurança: de fácil acesso, para limpar roupas e a pele do profissional em caso de derramamento de material biológico ou substância química;
  • autoclave: realiza a esterilização de instrumentos por calor, tornando o uso seguro novamente;
  • proteção de linha de vácuo: para evitar contaminação do sistema de vácuo com fluidos derramados e aerossóis;
  • microincineradores de alça: alças de material plástico estéril em caixas de aço, para transporte seguro de materiais ou agentes.

Além disso, as práticas de biossegurança também envolvem normas detalhadas para as instalações laboratoriais, o descarte de agentes químicos e biológicos, além do treinamento das equipes.

Qual é a real importância da biossegurança e seus efeitos?

Como dissemos, a importância da biossegurança engloba diversos aspectos distintos e não se dá apenas pelo alto risco a que os mais variados profissionais podem ser expostos. Como também pelos seus inúmeros impactos possíveis no meio ambiente e na sociedade como um todo.

Do ponto de vista da saúde do trabalho, os acidentes mais comuns envolvem ferimentos com agulhas ou bisturis. Quando isso acontece, pode haver contato com sangue contaminado, principalmente entre os profissionais de enfermagem.

Entretanto, a ausência de procedimentos de biossegurança poderia levar os riscos para fora do âmbito hospitalar. Como epidemias, contaminação do solo e da água e disseminação de doenças raras ou erradicadas, atingindo o restante da população.

Diante dessa importância da biossegurança, podemos resumir os principais efeitos da sua aplicação com alguns exemplos:

  • prevenção e proteção da saúde dos trabalhadores de clínicas, hospitais, laboratórios e outros serviços de saúde;
  • redução dos riscos nas áreas de desenvolvimento tecnológico e pesquisa científica;
  • minimização dos riscos na prestação de serviços, evitando a contaminação de pacientes e dos casos de infecção hospitalar;
  • preservação do meio ambiente, no sentido de erradicar a contaminação por agentes químicos, por exemplo;
  • defesa à saúde dos animais, evitando a contaminação de hospedeiros e criação de novas vias epidêmicas;
  • proteção a saúde da população em geral, prevenindo problemas sociais futuros.

Conclusão

Enfim, podemos ver que a importância da biossegurança é refletida na variedade e complexidade de suas normas. Que devem ser implementadas e fiscalizadas pelas instituições e seguidas pelos profissionais, garantindo a proteção de todos os envolvidos.

Portanto, é notável que a biossegurança deve compor as práticas educativas, sobretudo nos cursos de pós-graduação na área da saúde. Uma vez que esses profissionais estão entre os que mais podem ser expostos a riscos e a locais com potencial de causar danos às pessoas ou ao meio ambiente.

Então, gostou do artigo? Agora que você já sabe o quanto a biossegurança é importante, você pode conversar com seus amigos e pacientes. Tem dúvidas do que um profissional da área da saúde deve ou não comentar nas redes sociais? Faça o download gratuito do nosso e-book sobre o tema e aumente os seus conhecimentos!

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