Prevenção ao suicídio e o Setembro Amarelo

Publicado por MAÍRA PASSOS ASSESSORA DE IMPRENSA FACULDADE IDE em 8 de setembro de 2020
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Prevenção ao suicídio e o Setembro Amarelo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos últimos sete anos a taxa de suicídio no Brasil aumentou 7% a cada 100 mil habitantes, ao contrário dos dados mundiais, que caíram 9,8% no mesmo período. O Ministério da Saúde aponta que cerca de 11 mil brasileiros tiram suas próprias vidas a cada ano.Os dados alarmantes acendem ainda mais a necessidade de cuidar da saúde mental e falar sobre a prevenção ao suicídio, por isso setembro ficou amarelo e a campanha Setembro Amarelo, organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), tem o objetivo de prevenir e reduzir as estatísticas dolorosas. 

Por muito tempo as pessoas que tinham algum tipo de problema psicológico e que acabavam chegando no extremo de tentar contra a própria vida eram vistas como fracas, mas quem chega a tal ato está movido pela vontade de libertação e a caminhada até a consumação de tais pensamentos é longa e extremamente difícil para estes pacientes. O suicídio vem de um lugar tido como tabu e por muitos anos a temática era silenciada, mas continuar não falando ou julgando o porquê de alguém ter chegado a tal estágio não é nada indicado. É preciso falar e ficar atento com aqueles que já demonstram problemas e buscar se informar sobre fatores que podem trazer esse tipo de situação para poder ajudar quem está ao nosso redor. 

Então, para promover mais conscientização acerca deste tema, neste texto você irá conhecer os sinais importantes para se atentar e como percebê-los, entender a importância do papel da família, além da relação com o estilo de vida e por fim saberá a melhor forma de promover a prevenção ao suicídio.

Sinais Importantes

“Nem sempre os suicídios estão correlacionados a diagnósticos de transtornos mentais, contudo, muitos fatores externos também se apresentam como importantes, como sentimento de perda significativo (luto, divórcio, rejeição social, bullying, dívidas), discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões físicas e/ou psicológicas, relações abusivas na família e no trabalho, doenças crônicas, doenças incapacitantes, crises políticas e econômicas e também pandemias. É importante salientar, contudo, que nenhum destes, por si só, é determinante do comportamento suicida. Exposição a agrotóxicos, também é relatado como possível fator precipitante.”

Pontua a psicóloga e coordenadora da pós-graduação em neuropsicologia da Faculdade IDE, Eliana Almeida.

Sobre as características suicidas em uma pessoa, a profissional explica que mesmo emergindo a partir de causas diversas e multifatoriais, a insatisfação com as condições de vida atual, bem como a angústia e a desesperança em relação ao futuro são a base dos movimentos suicidas.

“Algumas pessoas dão sinais de que pensam em desistir da vida e quem está por perto pode identificar alguns casos. Sinais que por sua vez, são dados em ambientes diversos, mas nenhum deles pode, isoladamente, ser tomado como sinal de risco. A associação entre eles é que os torna mais efetivamente significativos. A grande maioria deles sinaliza que algo não vai bem, mas alguns estão mais estreitamente ligados ao risco suicida.”

Explica Eliana. 

A psicóloga listou como perceber em diferentes ambientes: 

  • No trabalho: baixo nível de comprometimento e motivação, queda no desempenho, perda de foco, ausências diversas; 
  • Entre amigos: desinteresse, apatia, afastamento, rompimento de vínculos significativos, alteração nos padrões de consumo de álcool e drogas. Desta ainda alguns mais diretamente relacionados ao risco de suicídio: comportamentos típicos de despedida, “sinalizar” que não estará presente em momentos significativos para o grupo, mensagens sugestivas nas redes sociais, falta de interesse/motivação para comemorar aniversário; 
  • Em casa: comentários autodepreciativos, significativa alteração da percepção da realidade sendo sempre desfavorável a si mesmo, mudança de hábitos de alimentação (com ou sem perda de peso), sono, higiene, irritabilidade, apatia, isolamento, choro fácil. Alguns mais diretamente relacionados ao risco de suicídio: menção a morte ou suicídio, doações fora dos padrões normais, sobretudo se for de objetivos de estimação. Nos adultos, desejo de organizar documentos, como procedimentos bancários e inventários. 

O papel da família

A família sempre vai ser fundamental para identificar e ajudar o paciente.

“É muito importante pontuar o quanto a percepção da família é impactada pelos relacionamentos afetivos e pela sobrecarga que muitas vezes está associada ao comportamento que pode levar ao suicídio. Muitas vezes, os desgastes afetivos e relacionais provocam também alterações perceptivas por parte dos familiares.” 

Explica a docente.

Eliana Almeida também reforça a importância dos familiares ficarem atentos aos diversos sinais que são dados dentro de casa durante o convívio diário. Salienta ainda que não é sempre que alguém que atentou contra a própria vida falou sobre a sua vontade antes, porque dar ou não sinais prévios depende muito do que motivou esta pessoa a chegar a tal ponto. 

“Muitos suicídios são motivados por fatores passionais e relacionais, como fins de relacionamento, descobertas de traição, decepções ou culpas. A orientação sexual também está entre os motivos. No caso de adolescentes, são ainda mais frequentes atos suicidas disparados por impulsividade. Nestes casos, não há o desejo de morte expresso anteriormente. Nos casos em que há distúrbios mentais e transtornos de humor associados, sinais são dados antes do ato consumado. Inclusive, quando o suicídio acontece em situações como esta, muitas tentativas anteriores já haviam sido feitas. Sempre devemos ficar atentos quando algo não vai bem e alguém faz os seguintes comentários: “eu não aguento mais”, “eu só queria sumir”, “vou desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “eu só queria dormir e nunca mais acordar”, “eu preferia estar morto”, “eu realmente não sirvo para nada mesmo”, “é inútil fazer algo para mudar”, “não há mais nada que eu possa fazer.” Explica.

Estilo de vida

O estilo de vida que a pessoa leva também deve ser observado, como por exemplo, o daquelas pessoas que consomem algum tipo de droga.

“Muitas vezes, a própria ‘atmosfera de consumo’ da droga já é, por si só, deprimente/underground: o uso, os comportamentos associados, os estigmas sociais associados, os conceitos e os preconceitos. As drogas mais comumente usadas pelos jovens, álcool e maconha, em si, são depressoras do sistema nervoso central e favorecem uma alteração da percepção da realidade, que, para grande parte dos usuários, já não é favorável. Além da condição de vulnerabilidade em que os colocam.” Esclarece a psicóloga.

O ponto mais importante para evitar este mal é cuidar da saúde mental.

“A saúde mental é, sem dúvida alguma, um bem muito precioso. Na grande maioria dos casos, 96,8% dos casos de suicídio estão associados a diagnósticos de transtorno mental, segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria e a Organização Mundial da Saúde”, conta Eliana que também considera o tratamento como uma das formas principais de prevenção: “Tratar do assunto abertamente e evitar julgamentos. Lidar com a situação de forma adequada: clinicamente. Medicação e acompanhamento psicológico. Apoio familiar. Busca de alinhamento de vida por parte da pessoa em sofrimento”. 

Autoconhecimento

“O trabalho de Autoconhecimento é um forte aliado. Quando a pessoa se conhece melhor e ela tem melhores condições de identificar quais são os elementos da vida (pessoais, contextuais ou circunstanciais) que estão provocando maior sofrimento. Ela consegue então, a partir desta clareza, encontrar alternativas melhor para uma vida mais satisfatória. Rede de apoio sustentável é também fundamental: clínico, familiar e social. Encontrar a “raiz” do sofrimento é a busca mais preciosa. É pela raiz que o mal precisa ser cortado.” Instrui. 

Prevenção ao suicídio

Quando os primeiros pensamentos aparecem é preciso ter algumas atitudes.

“Dar atenção ao pensamento e se abrir para o diálogo, não negligenciar, se disponibilizar para falar sobre o assunto, buscar ajuda e tratamento necessário, olhar para a vida e ver o que pode estar gerando a angústia e o desconforto, não se acomodar a situações e relacionamentos tóxicos e agir de forma a buscar rotina e relacionamentos mais saudáveis, buscar formas de lidar (mesmo que não de forma totalmente satisfatória, num primeiro momento), com os aspectos da vida. As Redes de Apoio Sustentáveis (aquelas em que a pessoas se sente à vontade para desabafar, seja quem for), são fundamentais. Caso não haja ninguém com quem conversa, buscar serviços especializados como o Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma possibilidade valiosa. O CVV é uma organização que atua na prevenção ao suicídio. Nesta organização, voluntários capacitados prestam serviços de apoio emocional 24 horas por dia, com garantia de sigilo”, conta. 

O que fazer?

Para evitar tais atos, o paciente também pode se ajudar.

“Manter os acompanhamentos clínicos, remotamente. Tanto quanto possível, evitar o isolamento dentro da própria casa. Tanto quanto possível, buscar manter uma rotina que favoreça a saúde do corpo: vitaminas, banho de sol, alimentação, atividade física. Evitar ou reduzir o consumo de álcool e drogas. Ao mesmo tempo, buscar se manter em relação com amigos e familiares (principalmente, os relacionamentos não tóxicos). Mas não podemos ser ingênuos: tudo isso muito difícil para quem está vivenciando uma batalha interna pela vida”, finaliza pontua a psicóloga e coordenadora da pós-graduação em neuropsicologia da Faculdade IDE, Eliana Almeida, sobre como prevenir o suicídio.

É importante lembrar que embora este tema tenha mais destaque no mês de setembro, a preocupação com a saúde mental, o combate e a prevenção ao suicídio devem ter atenção o ano inteiro! Portanto se você deseja conscientizar ainda mais pessoas a cerca deste tema, compartilhe este conteúdo com os seus amigos. E nunca se esqueça de olhar para as pessoas que estão do seu lado, afinal a empatia é fundamental neste processo.

 

Maíra Passos

Assessora de Imprensa

Faculdade IDE

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