Pandemia e Setembro Amarelo

Publicado por Maíra Passos Assessora de Imprensa Faculdade IDE em 14 de setembro de 2020
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Pandemia e Setembro Amarelo

Segundo um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, um a cada 16 pacientes podem desenvolver doenças mentais, principalmente ansiedade e demência, após infecção pelo vírus Covid-19. Entretanto, esse risco aumenta duas vezes mais para pacientes que precisam ser hospitalizados. Por isso, a situação tem trazido um aumento no número de suicídios, além de outros problemas que tem piorado ainda mais a saúde mental das pessoas e podem chegar a ser um gatilho para o suicídio até mesmo naqueles que não tinha tais pensamentos. Dessa maneira, este texto aborda a relação entre pandemia e setembro amarelo.

“’Cabeça vazia é oficina do diabo’. Este é um ditado antigo, mas pertinente sobretudo para quem não está conseguindo dar um rumo ao seu dia e aos seus afazeres. Em decorrência disso, existe uma grande chance de evoluir com pensamentos negativos e de desesperança. Além disso, uma série de fatores contextuais que têm poder para desencadear sofrimento psíquico estão em curso: conflitos parentais, conflitos conjugais, uso abusivo de álcool e drogas, violência doméstica, desemprego, falência de empresas, luto por perda de entes queridos, medo de contaminação, negligência em relação a problemas de saúde por medo de contaminação.”

Esclarece a psicóloga e coordenadora da pós-graduação em neuropsicologia da Faculdade IDE, Eliana Almeida.

A seguir, você conhecerá a relação entre a pandemia e o setembro amarelo, e entenderá mais detalhadamente porque houve um aumento dos casos de suicídio nesse período. Também perceberá como a questão do suicídio afeta os idosos e também receberá dicas valiosas sobre como lidar com pessoas que já tentaram tirar a própria vida. Portanto se você deseja se informar mais sobre o suicídio, continue a leitura.

Casos de suicídio

Diante de todos estes problemas, o aumento dos casos de suicídio preocupa.

“O atendimento de chamados pelo SAMU-SP referente a tentativas e casos de suicídio aumentou bastante durante a pandemia coronavírus. Em Uberlândia-MG, foram registradas 22,5% mais chamadas nos cinco primeiros meses deste ano. O Journal of the American Medical Association – Psychiatry, em abril, nos Estados Unidos também notificou preocupação em relação a este aumento. As classes C e D foram as mais afetadas. Os relatos apontam os principais fatores associados a este aumento: falta de diálogo dentro de casa, convivência integral em residências muito pequenas. Incerteza pela covid e solidão provocada pelo isolamento social. Estresse econômico, incerteza pela própria subsistência, desconexão social, dificuldade no tratamento da saúde mental, medo diante de doenças pré-existentes, ansiedade frente ao risco de contaminação”

Explica a docente da Faculdade IDE.

Os familiares e amigos precisam estar atentos e abertos para ajudar quem demonstra não estar bem em meio a este turbilhão de sentimentos que a pandemia trouxe.

“O momento é muito mais desafiador para todos. Incertezas, insegurança, dificuldades reais em relação a manejo da vida como um todo: saúde, trabalho e relacionamentos, além da sobrecarga de convívio familiar muitas vezes desagradável. Para todos, o convite é a flexibilização: buscar novas formas de viver, conviver, realizar.” Instrui a Eliana. 

Idosos

Os idosos, que fazem parte do grupo de risco para a Covid-19, encontram ainda mais desafios e os maus pensamentos podem aparecer ainda mais.

“Não podemos esquecer a triste e preocupante estatística apontada pelo Ministério da Saúde: pessoas com idade acima dos 70 anos são as que mais cometem suicídio no Brasil. Esse público requer atenção redobrada. Se o idoso morar sozinho e não tiver família por perto, mais atenção ainda é necessária. Essas pessoas precisam ser solidariamente acolhidas e suas necessidades básicas atendidas. Ter quem ajude para que evitem exposições ao risco e verificar frequentemente se está tudo bem. As famílias precisam ser bem conscientes de que não podem deixá-los por conta própria, achando que são autossuficientes. Ninguém é, ainda mais num cenário como este.” Atenta a profissional. 

“Já para os idosos que vivem com suas famílias, é muito importante a inclusão deles na rotina e nas atividades da casa. Estimulação cognitiva ecológica e lúdica são também muito importantes. Se houver possibilidade segura, é importante que a família favoreça que o idoso tome um banho de sol nos horários apropriados (antes das 10h ou depois das 16h). Ter disponibilidade para ouvi-los é também muito importante para eles.” Aconselha Eliane sobre como podemos ajudar os idosos que vivem conosco. 

Como lidar com quem já tentou tirar a própria vida

Por fim, fica a pergunta, e como podemos lidar com quem já tentou o suicídio? A psicóloga Eliana Almeida responde.

“Em primeiríssimo lugar, não negligenciar a importância de que seja dado o tratamento adequado (psiquiátrico e psicológico). E além disso, é muito importante também a abertura para o diálogo franco, aberto, sem julgamento. Buscar compreender qual é a ‘dor oculta’ é o grande desafio, por isso é tão importante a abertura para o diálogo. Ouvir, compreender, expressar respeito, cuidado. Ampliar a rede de apoio que sustenta e que permite desabafo e choro, seja ela qual for: família, amigos, vizinhos, igreja, serviços especializados, trabalho. E, ao mesmo tempo, restringir acesso a mecanismos que facilitem novas tentativas: armas, objetos cortantes, remédios, venenos… são alguns dos que podem ser restritos. Telas nas janelas para quem mora em apartamento também é uma medida protetiva. Todos estes são elementos que tem potencial para evitar as tentativas impulsivas, mas… quando a pessoa está realmente motivada a acabar com a própria vida, ela é capaz de driblar qualquer uma destas medidas. De todas as formas de tentar evitar o suicídio por parte da família, a expressão de cuidado, atenção e o apoio dado para minimizar a fonte estressora, são as melhores medidas.” 

Agora você conhece um pouco melhor sobre a relação entre pandemia e setembro amarelo, junto com seus impactos no aumento de taxas de suicídio, e principalmente como lidar com quem já atentou contra a própria vida. Que tal criar uma corrente do bem e compartilhar este conteúdo para que juntos, possamos ajudar ainda mais pessoas com ele? Compartilhe este post nas suas redes sociais!

 

Maíra Passos

Assessora de Imprensa

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