Precisamos conversar! Como diferentes áreas da saúde lidam com o Autismo?

Publicado por IDE CURSOS em 18 de maio de 2017
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Precisamos conversar! Como diferentes áreas da saúde lidam com o Autismo?

O autismo é um Transtorno complexo, cujo tratamento exige a participação de vários profissionais da saúde e educação. Quanto mais cedo a intervenção terapêutica multidisciplinar tiver início, mais chances os pacientes terão de se desenvolver e alcançar benefícios para a sua vida em vários aspectos.

Preparamos este artigo para que você possa entender como algumas das principais áreas da saúde e educação atuam no contexto do autismo.

Trata-se de um conteúdo especialmente selecionado para esclarecer as especificidades do trabalho realizado por psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos, educadores físicos e nutricionistas com crianças e adolescentes que possuem autismo.

Você vai descobrir como cada profissional contribui para o desenvolvimento e a socialização das pessoas com autismo, percebendo como a multidisciplinaridade é fundamental neste processo.

Primeiramente, vamos explicar o que é o autismo e quais são as implicações deste transtorno sobre a saúde física e mental dos indivíduos.

Boa leitura!

Entendendo o autismo

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) incorporou o autismo a um grupo de distúrbios do desenvolvimento caracterizados por déficits na comunicação e nas interações sociais percebidos em vários contextos a partir do nascimento.

A esses distúrbios o DSM-V deu o nome de Transtornos do Espectro Autista (TEA).

Os sintomas do autismo resultam de alterações bastante complexas no funcionamento do cérebro, que podem ocorrer ainda na vida uterina ou logo após o nascimento do bebê.

A ciência ainda desconhece as causas exatas do autismo. No entanto, as pesquisas apontam para uma combinação entre fatores genéticos e ambientais como sendo a principal responsável pelo prejuízo no desenvolvimento e funcionamento cerebrais.

Além das dificuldades de comunicação e interação, as pessoas com autismo e outras disfunções do TEA apresentam comportamentos repetitivos, sendo que o diagnóstico de um mesmo transtorno pode ser feito com base em diferentes graus de comprometimento.

Desta forma, o transtorno do autismo tem impactos bastante diferentes sobre a vida do paciente e o modo como ele reage ao tratamento.Tais impactos podem se agravar devido à presença de outras deficiências associadas ao autismo.

Disfunções associadas ao autismo

Dificuldades de coordenação motora, dispraxia, síndrome do déficit de atenção e hiperatividade e deficiência intelectual são algumas das condições que podem estar associadas ao autismo.

Em alguns pacientes, é comum o aparecimento de distúrbios do sono, ansiedade e depressão, além de problemas gastrointestinais e hipotonia muscular.

Entretanto, cada paciente experimenta suas próprias dificuldades, sendo impossível determinar exatamente quais serão os impactos do autismo sobre o desenvolvimento ao longa da infância e sobre a adolescência e vida adulta.

Muitas vezes, os sinais do autismo são evidentes desde os primeiros anos de vida. Em outros casos, permanecem sutis por um longo período, manifestando-se mais intensamente de maneira tardia.

É preciso que pais e profissionais da saúde e educação fiquem atentos ao modo como a criança se desenvolve e reage aos estímulos do ambiente ao seu redor, pois o diagnóstico do autismo é baseado na observação clínica e não em exames laboratoriais.

Vamos, agora, aprofundar um pouco mais o conhecimento sobre os sintomas do autismo.

Os sintomas do autismo

Os sintomas do autismo são percebidos até o terceiro ano de vida e podem ser resumidos pelo desenvolvimento anormal ou atrasado da comunicação e da interação social.

Assim, a criança com autismo pode manifestar os seguintes sinais e comportamentos:

  • Atraso no desenvolvimento da linguagem ou ausência da linguagem oral;
  • Ecolalia (repetição da fala de outras pessoas);
  • Incapacidade de estabelecer vínculos emotivos ou sociais (não faz contato com os olhos);
  • Dificuldade no uso da imaginação;
  • Desinteresse pelo ambiente ao redor; e
  • Adoção de movimentos repetitivos e estereotipados (como girar os braços, abanar as mãos ou balançar o corpo).

Além destes sintomas, a criança com autismo pode apresentar dificuldades para suportar a presença de sons ou luzes intensas. Desta forma, ela pode ter reações exageradas ou agressivas a fogos de artifício, ruídos da construção civil, faróis de carro à noite, música em volume elevado e outros estímulos.

Esta hipersensibilidade da criança com autismo pode afetar, inclusive, os seus hábitos alimentares. É comum os pais relatarem dificuldades para manter uma dieta rica e equilibrada, uma vez que o paciente normalmente dá preferência por certos tipos de alimentos, recusando qualquer outra opção oferecida nas refeições.

Outra característica comum percebida nos pacientes são alterações no comportamento, a qual pode ser compreendida como uma consequência da hipersensibilidade do autista aos estímulos externos e das dificuldades na comunicação.

Nos casos de Autismo leve, na medida que eles crescem e que conscientizam-se do transtorno, eles também podem enfrentar episódios de depressão que perduram por toda a vida adulta.

De fato, o autismo é uma condição permanente, com a qual o paciente e seus familiares conviverão ao longo da vida.

Por isso, é fundamental compreender os sintomas deste transtorno, sempre considerando cada paciente como uma pessoa única, com uma personalidade e uma história própria, que precisa ser consideradas antes de se enxergar o autismo propriamente dito.

A importância do atendimento personalizado

Embora haja uma série de sintomas característicos do autismo, cada paciente manifestará um quadro bastante próprio do transtorno, o que exige um atendimento personalizado, focado nas necessidades individuais.

Desta forma, é possível ajudar a criança com autismo a explorar suas capacidades e adaptar-se às exigências do ambiente, estimulando a autonomia e independência para a realização de diversas atividades.

Tal abordagem personalizada deve ser mantida ao longo da adolescência e da vida adulta, melhorando a qualidade de vida e a saúde dos pacientes de maneira geral.

Agora que já entendemos o que é o autismo e como os seus sintomas impactam sobre o desenvolvimento de cada paciente de maneira diferente, vamos conhecer o trabalho de cada profissional de saúde e educação junto às pessoas com autismo, começando pela atuação dos psicólogos.

O autismo na psicologia

Por ser uma área do conhecimento que se dedica ao estudo do comportamento humano, analisando e compreendendo os fenômenos psíquicos e emocionais, a psicologia  deve estar presente na abordagem do autismo desde a fase diagnóstica.

A intervenção proposta pelo psicólogo será estruturada de acordo com a idade e as habilidades cognitivas, emocionais e sociais de cada paciente, visando sempre a recuperação funcional da pessoa com autismo.

Desta forma, junto às crianças, a atuação do psicólogo poderá ter seu foco no aprendizado da linguagem e no desenvolvimento das habilidades necessárias à comunicação. Já com os adolescentes, o psicólogo poderá dar mais atenção à expressão da sexualidade e à convivência social.

Para conduzir o tratamento, o psicólogo optará por uma das diversas correntes existentes, tais como a teoria psicanalítica, a abordagem comportamental ou a linha behaviorista.

Abordagens usadas na psicologia

O behaviorismo, juntamente da psicolinguística, é a base para a estruturação de uma abordagem denominada Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits Relacionados à Comunicação, conhecida também como programa TEACCH.

O programa TEACCH considera as características de cada paciente para promover a sua evolução, dando suporte nas áreas onde o aprendizado é mais deficiente por meio da utilização de ferramentas de comunicação visual.

Ao empregar esta abordagem é possível ajudar a criança com autismo a lidar melhor com os estímulos do ambiente que geram ansiedade, nervosismo ou frustração, melhorando o padrão comportamental dos pacientes.

No entanto, para que o emprego da intervenção em psicologia tenha sucesso, é preciso incluir a família na abordagem terapêutica, reconhecendo a interação do paciente com os familiares e a reação desses à condição da criança com autismo como partes importantes do tratamento.

Os familiares são as pessoas que mais conhecem as dificuldades e necessidades da criança ou adolescente, apontando os caminhos para que o tratamento promova o máximo de benefícios.

A família também deve ser cuidada

No entanto, aceitar e compreender o autismo pode ser um desafio para os pais desde o momento do diagnóstico.

Muitas vezes, eles sentem-se culpados pela condição do filho. Em outros casos, é comum o medo de que a criança autista sofra alguma ofensa ou preconceito.

Além disso, os pais preocupam-se em oferecer as melhores condições para que seu filho possa se desenvolver e ter uma vida plena.

Tudo isso pode gerar bastante ansiedade e estresse no ambiente familiar, o que pode prejudicar a relação entre os membros da família e o desenvolvimento da criança com autismo.

Por isto, é preciso que a intervenção terapêutica cuide também da família do paciente, ajudando a estabelecer uma rede de apoio com a comunidade, a escola e os demais profissionais envolvidos no tratamento do autista.

Um desses profissionais é o fonoaudiólogo e é sobre o seu trabalho que iremos falar agora. Confira!

A fonoaudiologia e o autismo

Uma vez que um dos principais sintomas do autismo é o atraso no desenvolvimento da comunicação, a fonoaudiologia tem importância fundamental no tratamento desses pacientes.

O fonoaudiólogo avaliará o grau de comprometimento da fala para estabelecer o prognóstico e planejar a intervenção adequada, considerando as habilidades fonológicas, sintáticas, lexicais, semânticas e pragmáticas de cada paciente.

Assim, a atenção em fonoaudiologia é fundamental para ajudar as pessoas com autismo a desenvolver a chamada comunicação funcional. Trata-se do aprendizado voltado para a aquisição da habilidade de usar a linguagem em interações estabelecidas com um propósito determinado e dentro de um contexto.

Quando a ausência da fala é total, o fonoaudiólogo poderá propor, com a ajuda da família, a criação de um sistema de comunicação alternativa.

Outra contribuição importante da fonoaudiologia para o tratamento da pessoa com autismo é o estímulo ao processo de simbolização, fundamental para a adaptação do paciente ao contexto da escola.

Apoio para a inserção no ambiente escolar

No desenvolvimento da linguagem, a capacidade simbólica é um pressuposto para a interação social e para a capacidade de se colocar no lugar da outra pessoa, compreendendo emoções e compartilhando interesses.

Este traço da linguagem é deficiente nas pessoas com autismo, prejudicando a convivência social, seja no ambiente familiar ou escolar.

Por terem dificuldades para compreender o estado mental das outras pessoas, assim como o seu próprio estado mental, os indivíduos com autismo não conseguem estabelecer o diálogo e a interação social.

Ao estimular o processo de simbolização junto aos pacientes, o fonoaudiólogo facilita a inserção da criança com autismo na escola, o que é muito importante para dar continuidade ao seu desenvolvimento.

No contexto escolar, entra em cena mais um profissional, o pedagogo, oferecendo outros conhecimentos e técnicas fundamentais para o tratamento do autismo, conforme vamos explicar a seguir.

O papel da pedagogia

A inserção da criança com autismo no ambiente escolar é fundamental para que ela possa superar dificuldades e conquistar autonomia e independência.

No entanto, engana-se quem pensa que ao matricular o filho em uma escola os pais já garantem um atendimento especializado, capaz de atender as necessidades específicas da criança ou do adolescente com autismo.

Para que o ambiente escolar contribua, de fato, para o pleno desenvolvimento do aluno autista, a intervenção em pedagogia tem enorme importância.

A falta de habilidade para interagir com o outro em meio às novidades do ambiente escolar pode deixar as crianças e adolescentes com alterações em seu comportamento.

O pedagogo é o profissional capaz de adaptar as metodologias de aprendizagem às necessidades do autista. Ele saberá considerar as dificuldades específicas desses alunos, sobretudo no que diz respeito as dificuldades na comunicação.

Assim, o aluno com autismo sentirá mais segurança para estar presente na escola, o que permitirá o aproveitamento de todos os estímulos positivos que o ensino e a convivência com os colegas e professores podem oferecer.

Ainda que o tratamento da pessoa com autismo vise sua inserção nos diferentes espaços sociais, o trabalho do pedagogo no ambiente escolar deve proporcionar o ajustamento de horários e rotinas, da grade curricular, dos instrumentos de aprendizado e de toda a realidade educacional ao aluno com autismo.

Educando toda a comunidade escolar

De fato, a inclusão de alunos com autismo e outros transtornos ou deficiências no ambiente educacional é motivo de ansiedade para todos os membros da comunidade escolar.

Muitos profissionais podem ficar inseguros quanto à sua capacidade para lidar com essas crianças e adolescentes e de compreender suas dificuldades específicas de forma tranquila.

Por isso, o trabalho do pedagogo precisa ser direcionado tanto para o apoio e orientação da comunidade escolar quanto ao processo de aprendizado e ao acolhimento da pessoa com autismo.

À medida que o conhecimento é compartilhado, é formada uma rede de apoio ao desenvolvimento do aluno com autismo, que promove benefícios significativos para a sua evolução.

Neste processo, a participação da família e dos demais profissionais envolvidos no tratamento da criança com autismo, tais como psiquiatras e psicólogos, é muito importante.

No ambiente escolar, também destaca-se a atuação do educador físico. Vamos conhecer, agora, quais são as especificidades do trabalho deste profissional de saúde/educação.

Educação física aplicada ao autismo

A educação física é a área do conhecimento dedicada ao estudo da prática esportiva e do condicionamento físico como promotores da saúde.

Assim, o educador físico é o profissional qualificado para planejar e supervisionar a realização de programas de atividade física junto às pessoas comuns, atletas profissionais e pessoas com deficiência, incluindo o autismo.

Para que as crianças e adolescentes com autismo possam aproveitar todos os benefícios da atividade física, o educador físico promove a adaptação dos exercícios propostos às habilidades motoras de cada indivíduo, considerando as dificuldades de coordenação, equilíbrio ou propriocepção, por exemplo.

Neste sentido, é importante que a família forneça informações relevantes sobre o dia a dia da criança, informando sobre as dificuldades experimentadas pela criança com autismo ao realizar atividades como alimentar-se, vestir-se ou tomar banho.

Com base nessas informações, o profissional de educação física poderá planejar o roteiro de exercícios que possa aumentar a confiança e a concentração das crianças para a execução dos movimentos, utilizando uma visão funcional da atividade física.

Além dos ganhos em relação à autonomia e independência para a realização das atividades diárias, a atuação do educador físico junto aos pacientes com autismo pode promover ganhos no aspecto das relações interpessoais.

O esporte como estímulo para a interação social

Os exercícios propostos durante as aulas de educação física, as sessões de ginástica, as aulas de dança, de natação ou de outras modalidades esportivas estimulam a convivência social entre as crianças com autismo.

Este aspecto é fundamental para o desenvolvimento da comunicação e da interação social, uma vez que as pessoas com autismo enfrentam bastante dificuldade para se relacionar com o outro.

Em meio às brincadeiras e movimentos coordenados pelo educador físico, a criança com autismo pode experimentar o contato físico e estabelecer formas não verbais de comunicação, ampliando suas experiências sociais e tornando-se mais abertos e receptivos à convivência com o mundo ao redor.

Por fim, a atuação do profissional de educação física também oferece vantagens relacionadas aos benefícios da atividade física para a saúde dos indivíduos como um todo.

Entre estes benefícios estão a melhoria da qualidade do sono, o aumento da capacidade cardiorrespiratória e a diminuição da agitação e do estresse, sendo que a boa alimentação é fundamental para otimizar estes resultados.

Por isso, o nosso artigo fala também sobre a atuação de um profissional fundamental para o Autismo: O nutricionista.

A importância da nutrição

As alterações gastrointestinais experimentadas pela pessoa com autismo podem trazer dificuldades para a manutenção de hábitos alimentares saudáveis.

Existe relação entre o autismo e a disfunção na produção de enzimas digestivas, além da alteração na permeabilidade da parede intestinal e da ocorrência de reações inflamatórias que podem desencadear alergias alimentares.

Por outro lado, as pessoas com autismo apresentam uma maior propensão ao desenvolvimento de quadros de obesidade, especialmente se não forem vencidas as dificuldades de interação social que impeçam a prática de atividades físicas.

Uma vez que a criança autista tende a desenvolver a preferência por alimentos específicos, a dieta destes pacientes merece toda a atenção possível por parte dos profissionais da nutrição.

É o nutricionista quem avaliará os hábitos alimentares dos pacientes, considerando as alterações determinadas pelo autismo e o perfil de cada paciente para prescrever um plano alimentar personalizado.

É importante que toda a família entenda que uma alimentação saudável, baseada em uma dieta rica em todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo, é fundamental para que a criança com autismo possa superar as limitações do transtorno e alcançar o desenvolvimento mais pleno possível.

Na verdade, a conquista e a manutenção de um estilo de vida saudável são o objetivo principal da intervenção multidisciplinar em saúde.

A importância do atendimento multidisciplinar em saúde e educação

Conforme foi demonstrado ao longo do nosso artigo, cada profissional realiza um trabalho específico junto às pessoas com autismo, contribuindo para que esses pacientes possam superar os limites do transtorno ao seu desenvolvimento e conquistar mais autonomia e independência.

Além disso, a intervenção multidisciplinar no autismo é importante para o esclarecimento rápido do diagnóstico, permitindo que o tratamento da pessoa com autismo comece o mais cedo possível, o que permite resultados mais positivos em vários aspectos da saúde dos pacientes.

Uma vez que o transtorno do autismo é uma realidade bastante presente na área de saúde no Brasil, os profissionais devem buscar o conhecimento qualificado sobre o assunto, de um modo que ofereça os melhores recursos aos pacientes e seus familiares.

Com profissionalismo e dedicação, os profissionais podem oferecer às pessoas com autismo as ferramentas necessárias para vencer as dificuldades e ter uma vida feliz junto à família e à sociedade.

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