Cuidados com a Automedicação e o Coronavírus

Publicado por em 11 de maio de 2020
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Cuidados com a Automedicação e o Coronavírus

Normalmente, para combater os sintomas da gripe, a maioria recorre diretamente às farmácias em busca de analgésicos, antitérmicos, xaropes e descongestionantes. Apesar de muitos desses medicamentos estarem disponíveis nas prateleiras, já que podem ser adquiridos sem prescrição médica, não são isentos de riscos, como alerta o farmacêutico e mestre em inovação terapêutica Diego Medeiros, coordenador e professor da pós-graduação em farmácia clínica, com ênfase na prescrição farmacêutica da Faculdade IDE, por isso é muito importante tomar cuidados com a automedicação.

Em tempos de coronavírus, então, os cuidados devem ser redobrados. Principalmente, porque vêm surgindo informações de novas medicações que podem auxiliar no tratamento da Covid-19.

Medicamentos em fase de teste

“Por exemplo, quando inícios de estudos apontaram que a hidroxicloroquina, medicação usada para tratamento de lúpus, malária e artrite reumatoide, poderiam ser eficaz no combate ao coronavírus, muitas pessoas correram às farmácias por conta própria para garantir o estoque da medicação. Isso é muito perigoso, além de que ela não funciona de forma preventiva ou surte efeito com sintomas leves”, explica o farmacêutico, orientando que ela só deve ser tomada com orientação médica.

O mesmo aconteceu com a ivermectina, antiparasitário utilizado para o tratamento de filariose, oncocercíase, larva migrans e pediculose (infestação por piolhos), e a nitazoxanida (Anitta), antiprotozoário usado no combate aos vermes. Alguns estudos iniciais mostraram que esses remédios podem diminuir a carga viral do coronavírus. “São pesquisas que ainda precisam de mais evidências para comprovarem efeito em humanos, pois todos os testes ainda não foram realizados”, conta o coordenador da pós-graduação em farmácia clínica da Faculdade IDE, Diego Medeiros.

Outro medicamento que vem sendo usado de forma adjuvante para o tratamento do coronavírus é a azitromicina, antibacteriano. Isso porque, como o coronavírus diminui a imunidade do paciente, acaba sendo uma porta de entrada para outras doenças pulmonares causadas por bactérias. “Porém, esse antibiótico sempre precisou de retenção de receita para ser comprado nas farmácias”, esclarece Diego.

Não compre medicamento sem receita

O farmacêutico lembra que hidroxocloroquina, cloqorquina, nitazoxanida também, em tese, precisariam de receita para a sua compra. Agora, a ANVISA recomenda a retenção da receita, igual aos medicamentos psicotrópicos e antibióticos. Já para a compra da ivermectina não há exigência de retenção da receita, mas precisa de receiturário.

“Como alguns dos sintomas da Covid-19 são semelhantes ao de uma gripe comum ou resfriado, a principal recomendação é para não usar esses medicamentos por conta própria, pois eles têm grau de toxidade elevado e podem trazer efeitos adversos e complicações maiores. Embora não haja evidência que suporte o uso destes medicamentos, somente o médico assistente pode fazer a indicação terapêutica destes insumos, baseado numa avaliação crítica do paciente”, alerta o farmacêutico Diego Medeiros.

Outras Infecções Virais

Seja qual for a infecção viral, com um “simples” resfriado, que têm início mais lento e leve, ou uma gripe, sendo provocada, geralmente, pelos vírus Influenza (tipos A e B), os cuidados com a automedicação devem ser os mesmos. “O paciente pode e deve procurar orientação do farmacêutico na hora de comprar um remédio. Além de orientar o paciente quanto ao uso dos medicamentos, o profissional deve esclarecer que, se os sintomas não minimizarem com o uso dos medicamentos em determinado período, um médico deve ser procurado para uma investigação sobre o quadro do paciente”, explica o professor da pós-graduação em farmácia clínica da Faculdade IDE.

Entre os sintomas mais comuns de gripes e resfriados estão a coriza, irritação nos olhos, dor de garganta e tosse. Por se tratar de um transtorno autolimitado, até certo ponto, a população busca tratamento para os sintomas pontuais. “É comum o emprego de analgésicos para as dores e febre, anti-histamínicos e descongestionantes nasais para as corizas e entupimento do nariz. Inclusive, muitos medicamentos apresentam vários fármacos em associação num único comprimido ou cápsula, como Coristina e Multigripe”, conta o farmacêutico Diego Medeiros.

Efeitos Colaterais

Mas qualquer um desses remédios, se usados com frequência e por um tempo maior que o recomendado, podem causar sérios prejuízos à saúde. Um deles são os descongestionantes, que trazem riscos com o uso prolongado. “Como evento adverso provoca o que chamamos de ‘efeito rebote’, quando o corpo adquire dependência a uma determinada substância.

Então, na ausência dela, o organismo provoca sintomas que acabam estimulando você a administrar a substância. Por exemplo, o corpo causa congestão nasal se não administrar um descongestionante, tornando assim o paciente dependente do medicamento”, explica o professor de farmácia da Faculdade IDE Diego Medeiros.

Além disso, alguns descongestionantes podem ser absorvidos pela circulação e promover a ação em receptores ao longo do corpo, não somente na mucosa nasal, podendo causar problemas cardíacos. Segundo o farmacêutico, uma dica é usar solução hipertônica nasal, que é um soro fisiológico mais forte, como alternativa ao descongestionante nasal.

Outro alerta é com os analgésicos e antitérmicos, podendo causar problemas gástricos. “O paracetamol não deve ser utilizado em grandes quantidades, pois oferece risco de toxicidade hepática. Já o AAS pode provocar sangramento nos pacientes. Logo, esses medicamentos não devem ser usados por mais de cinco dias. Caso persistam os sintomas, o médico deverá ser consultado para um diagnóstico mais preciso”, orienta professor de farmácia Diego Medeiros.

Propaganda de medicamentos para gripes incentivam a automedicação?

É comum ver muitos comerciais de medicamento para gripes. Mas é importante procurar um médico ou farmacêutico antes de usar até esses medicamentos “liberados”? De acordo com o coordenador e professor da pós-graduação em farmácia clínica da Faculdade IDE, Diego Medeiros, a busca pelos farmacêuticos se torna mais fácil à população, “pois estes medicamentos, em geral, são de venda livre e há uma cultura de que as pessoas já se diagnosticam por conta própria.O que, em si, não é errado.

O farmacêutico, por estar presente com maior facilidade, tende a promover os esclarecimentos com mais facilidade”. Além disso, as pessoas também tendem a minimizar a necessidade de ir a um médico, por muitas vezes acharem ser “só uma gripezinha”. “É aí que o farmacêutico, não só orienta o paciente quanto ao uso dos medicamentos, como deve orientar um médico deve ser procurado para uma investigação sobre o quadro do paciente, caso os sintomas não minimizarem com o uso dos medicamentos”, detalha o profissional de saúde, lembrando que as farmácias devem contar com farmacêuticos em tempo integral para prestar orientações quanto ao uso dos medicamentos.

Inclusive, a indicação e prescrição de medicamentos dentro da farmácia é uma prerrogativa exclusiva dos farmacêuticos, bem como a intercambialidade, ou seja, a troca de medicamentos. Isso porque, algumas pessoas acabam pedindo orientação para os atendentes nas farmácias, muitas vezes por não entendem as diferenças nas funções. “Os auxiliares de farmácia têm função primordial na farmácia, mas não compete a eles essa atividade, pois não possuem competência técnica para assumir essa responsabilidade”, explica o farmacêutico.

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Maíra Passos

Assessora de Imprensa

Faculdade IDE


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