Impactos do coronavírus no mundo e o papel do profissional da saúde

No dia 25 de fevereiro de 2020, o Brasil registrava o primeiro caso confirmado de SARS-CoV-2 em São Paulo. Quando o surto se alastrou em dezembro de 2019 em Wuhan, na China, ninguém sabia o que estaria por vir. Aliás, talvez apenas cientistas e profissionais da saúde tinham noção dos impactos que o coronavírus causaria no mundo.

A velocidade de contaminação do novo vírus fez a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar o surto como pandemia, em 11 de março. Os efeitos da notificação tiveram como consequência instabilidade social e econômica, correria às compras, racismo e xenofobia contra chineses, asiáticos e seus descendentes, a paralisação de instituições de ensino e a disseminação de teorias da conspiração e fake news.

Nesse cenário, os profissionais da saúde e da área científica desempenham um papel importantíssimo, tanto para combater a epidemia quanto para desmistificar inverdades e produzir conhecimento. É sobre isso que falaremos a seguir!

Os impactos do coronavírus no mundo 

A rápida transmissibilidade do novo coronavírus e a taxa relativamente alta de infectados que precisam de cuidados hospitalares levaram o mundo ao confinamento. Diversos países seguiram as recomendações da OMS de reclusão e isolamento social como a medida mais eficaz para diminuir o contágio e evitar o colapso nos sistemas de saúde.

Com isso, mais de 160 países implementaram paralisação de escolas e universidades, afetando não só estudantes, mas seus pais e cuidadores. Além dessas instituições, decretos determinam a suspensão de serviços não-essenciais, o que deixou as pessoas em alerta para o caos econômico mundial, que afetará a todos.

Com a estagnação da produção devido ao fechamento das portas de fábricas e escritórios e a diminuição da demanda (já que consumidores estão em casa, sem gastar), os economistas falam que os impactos do coronavírus já são piores que os da crise de 2008. Para alguns especialistas, o crescimento global chegar a 1,5% já é muito otimismo.

Todos os países são severamente afetados, já que as cadeias produtivas são globalmente integradas. Contudo, apesar de muitos defenderem a volta das atividades para que a economia retorne aos trilhos, é impossível ignorar o fato de que a disseminação da doença em si gera caos social e, consequentemente, instabilidade econômica.

Ou seja, é urgente que governos, população e especialistas em saúde se unam para conter a COVID-19 o mais rápido possível. A situação de calamidade que a Itália se encontra nos deixa como lição o que a demora em agir com severidade pode causar.

Além do temor instaurado pela pane econômica, as mazelas que corrompem a alma humana vieram à tona. Desinformação e preconceito são os ingredientes para a onda xenofóbica contra chineses e demais asiáticos ao redor do mundo e para a criação de teorias conspiratórias e fake news.

Contudo, o crescimento econômico chinês observado nos últimos 44 anos não tem relação com os surtos epidemiológicos que tiveram origem no país. Como já foi provado que o vírus não foi criado em laboratório (falaremos disso mais adiante), o que precisa ser posto em xeque é a atividade humana sobre a natureza e demais seres vivos.

Porém, não cabe passarmos a régua ocidental do que é ou não comível ou quais hábitos são ou não são dignos de reconhecimento. O Governo chinês, inclusive, tem rígidas normas de controle sanitário nos diversos mercados alimentícios do país.

Aliás, um artigo publicado na Science fala sobre a possibilidade de o surto não ter surgido nos mercados chineses. Há indícios de que o vírus teria entrado nos mercados, em vez de ter saído deles. Mais uma vez, o que precisamos é de união, conhecimento e respeito para com os povos e a natureza. 

O papel dos profissionais da saúde no combate da COVID-19

A pandemia evidenciou o valor inestimável dos profissionais de saúde e dos cientistas nessa batalha mundial. Em meio a eles, destaca-se a importância da Enfermagem no reconhecimento e na análise de casos suspeitos, não somente pela sua capacidade técnica, mas também por serem numerosos e comporem a única categoria que acompanha os pacientes por 24 horas.

A pluralidade da formação e a condição de liderança dos enfermeiros nas suas equipes os colocam no centro da cena, como protagonistas no combate à transmissão da COVID-19. Apesar de atuarem na linha de frente e, incansavelmente, trabalharem para garantir a saúde aos cidadãos brasileiros, muitos profissionais da área relataram hostilidade e agressividade nos transportes públicos de São Paulo.

Tomadas pelo medo e munidas de falta de informação, algumas pessoas tentaram impedir que enfermeiros, técnicos e auxiliares em Enfermagem embarcassem nos metrôs, quando, na verdade, deveriam elas estar em casa. Para alívio de todos, esses casos foram isolados e contrastam com manifestações de apoio — aplausos nas janelas — aos profissionais da saúde, que se arriscam todos os dias.

Além de terem contato direto com os pacientes e prestarem os principais cuidados de que eles necessitam, os profissionais da Enfermagem sofrem com o desgaste psicológico da situação. Há o padecimento diante da precariedade e da falta de estruturas nos hospitais e o tormento de ver inúmeras pessoas morrendo sozinhas.

Nesse contexto, o Ministério da Saúde e demais autoridades da área, como o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), reforçam a relevância da atuação desses profissionais e se colocam à disposição para trabalharem junto às unidades regionais para gerenciar e combater o avanço da doença.

Percebe-se, mais do que nunca, que a união de diversas áreas do conhecimento é o caminho para sairmos dessa situação com mais rapidez. Esse é o assunto do nosso próximo tópico.

A importância das instituições científicas no controle da pandemia

Em meio ao caos e à onda de ansiedade generalizada em que estamos, encontramos boas notícias. No Brasil, um projeto em parceria com o Reino Unido para analisar epidemias em tempo real (Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus – CADDE) sequenciou o genoma do coronavírus em 48 horas.

A equipe, liderada por Ester Sabino e Jaqueline de Jesus e composta majoritariamente por mulheres, vinha se preparando desde o primeiro surto de COVID-19 na China. Ao obterem recursos para sequenciar o RNA do vírus tão logo ele chegasse ao Brasil e utilizando uma tecnologia barata e portátil para tal, as pesquisadoras publicaram os dados em 2 dias, ao passo que outros países levaram 15.

A ciência é fundamental para entendermos a origem do vírus e acompanharmos a sua evolução para, então, prevermos o seu comportamento e desenvolvermos vacinas e medicamentos antivirais. Um estudo publicado na Nature descarta a possibilidade da cepa ter se originado em laboratório e afirma que ela teria procedência por seleção natural (o vírus teria sofrido mutação ao entrar no corpo humano, após o contato com um pangolim).

A rapidez da produção de conhecimento e a divulgação de dados obtidos por cientistas são cruciais para diversos grupos de estudo espalhados no mundo possam conduzir suas pesquisas. Da mesma forma, as instituições científicas devem ser amplamente valorizadas e financeiramente incentivadas a continuarem seus trabalhos.

São universidades públicas e particulares, centros de pesquisa com parceria privada e órgãos governamentais que atuam, há anos, em prol do desenvolvimento científico e da promoção de saúde no Brasil.

Em todas essas instituições, há centenas de biólogos, biomédicos, enfermeiros, farmacêuticos, médicos e outros profissionais da área da saúde dedicados a desenvolver protocolos rápidos e baratos para o diagnóstico e o tratamento da COVID-19 e muitas outras doenças. As áreas do conhecimento são absolutamente complementares e, claro, essenciais para reduzirmos os efeitos devastadores do SARS-Cov-2 em todas as regiões do planeta.

Como podemos vivenciar, os impactos do coronavírus no mundo não são pequenos e, ao que tudo indica, devemos nos preparar para momentos mais críticos. Entretanto, uma ação rápida e efetiva pode reduzir significativamente os abalos sociais e econômicos nos países afetados. Para isso, contamos com a técnica, a solidariedade e a dedicação dos profissionais da saúde.

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